"A minha pele tornou-se transparente. De repente, todos os poros se abriram até que o meu corpo se tornou um único, grande poro. O meu corpo como se fosse vidro. E também a minha cara. As veias, as artérias, os capilares. Vejo tudo. As auto-estradas vermelhas e violetas entrecruzaram-se até formarem, sobrepostas, uma bela cor azul-cobalto. Os meus ovários são dois pequenos grãos-de-bico suspensos no ar. Um maior e mais descaído relativamente a outro devido à menstruação que está a chegar. Dentro, uma polpa vermelha e grumosa revolve-se como os sumos de fruta dentro da misturadora. Os rins são dois feijões exactamente como os imaginava quando na escola primária a professora tentava explicar a sua forma. Os pulmões estão cobertos de musgo negro, aqui e ali, e as manchas brancas são agora raras mas belíssimas.
O coração. O coração pulsa envolto numa meia de nylon, as meias dos bandidos. Um preservativo com a vida dentro. Um bandido que foge da morte, mas que foge também do amor e da dor extrema. Porque demasiada morte viu, demasiada dor pulsou, demasiado amor o está destroçando.
O cérebro. O cérebro. O cérebro. Só sonhos. Tantos fotogramas e nenhum som."
Melissa P.
Devious Comments
--
Grindcore will destroy hippies emocunts.
Previous PageNext Page